Tem ocorrido uma certa resistência, incluindo de governos, à implantação de hyperscaler data centers (o tipo de data center necessário pra rodar as IAs comerciais), devido aos seus impactos na infraestrutura pública (sobretudo à rede local de energia elétrica), sossego dos moradores (milhares de computadores "going brrrrrr" produzem vibração similar a de um carro funcionando em marcha lenta, e essa vibração é sentida como trepidação nas janelas) e obviamente questões ecológicas (uso de água potável pra refrigeração), então muitos projetos tem sido rejeitados pelos próprios governos, seja por pressão popular dos moradores locais, seja por deliberações do próprio poder público.
Isso daí, portanto, tá me cheirando a "loophole", isto é, uma forma de "contornarem" as negativas de alvará e esconderem-se da opinião popular, bem similar ao que o Uber faz ao tentar, através de um modelo estritamente escolhido por uma legião de advogados, contornar as exigências que existem para cooperativas de táxi.
E tal como no Uber, não há responsabilização da empresa quanto aos danos provocados pela operação "crowdsourced". A empresa de IA pode dizer "é responsabilidade do Fulano de Tal as interferências causadas na rede municipal de eletricidade e de fibra óptica, não nossa, a gente não forçou Fulano de Tal" e outros legaleses típicos do tal do "livre mercado".
Daí quem, por exemplo, recebe a culpa pelos óculos da Meta acaba não sendo o Zuckerberg e sim as pessoas que se submeteram ao papel deplorável de "cobaia" e "bucha de canhão" da Meta. Also similar nessa história aí: não vai ser a tal da Sunrun que vai ser linchada pelos moradores locais após descobrirem que tem um morador ocupando 99% da infraestrutura disponível para GPON e causando lentidão na internet da cidade inteira enquanto a geladeira tem feito um barulho esquisito e a luz oscilando como se fosse pisca pisca de árvore de natal.